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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

PELO PÚB(L)ICO

Num destes dias de ócio puro e duro (revoltada), refastelada no meu sofá (desconfortável) decido dar uma oportunidade à caixa que emoldura tantas famílias, num quadro que até parece feliz e, começo uma odisseia de zapping.
Guiada pela máxima "o nacional é bom", travo num desses programas da manhã (recuso fazer publicidade) e fico absorta pela estória exposta.



Um suposto hermafrodita é o convidado (actor principal), porque a sua "mais-que-tudo" (2ª protaginista) resolva contar o drama das suas tristes vidas (tudo com o intuito de o (se) ajudar).

Ele nasceu "com dois sexos". Agora com 24 anos confessa que o seu purgatório foi pejado de tentativas consecutivas de suicídio (insólito nunca ter acertado).

Este suposto hermafrodita conheceu a sua "cara-metade" a navegar neste mundo cibernáutico (como tantos outros). Apenas lhe contou a sua história quando se conheceram pessoalmente. Ela confessa: após o choque inicial, compadece-se dele! Vivem um amor imenso e fazem amor intenso porém, ela nunca viu o seu corpo na totalidade (e mais qualquer coisa ;-)).



Estão presentes os tão aclamados especialistas que fazem grandes dissertações acerca do tema revelando até, os mais recentes estudos na área.

O púb(l)ico está ao rubro porque a seguir a um "curtíssimo intervalo" este hermafrodita vai fazer uma "revelação surpreendente, aguardem!".


Atónita, apercebo-me que durante a apresentação dos "spots" surgem, no canto superior direito, os dois minutos em contagem decrescente (que evolução)! Dou por mim estupidificada a contabilizá-los...


15, 14, 13, 12, 11, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1


"Como prometido, cá estamos!" - grita... mais um pouco de suspense...



E eis senão quando... o suposto hermafrodita não é mais do que "um homem preso num corpo de mulher!" Roga à namorada: "perdoa-me!" e... ambos choram sobre o...bem...leite derramado??? Levo como que um estalo! Acordo e penso: Desculpem?! Durante o amor imenso e o amor intenso o que é que escapou à namorada?! Os meus pensamentos são, agora, perversos.

O púb(l)ico está estarrecido...não quero tecer mais qualquer comentário.
Alterno entre os outros canais e as histórias sucedem-se cada uma mais bizarra que a outra. Os apresentadores simulam constrangimentos (actores secundários). Que rico elenco existe, pelos programas da manhã.
A sensação que me percorre é de uma comichão imensa ( e não é nos pés). Vou aproveitar um conhecimento que adquiri nesta minha manhã tão produtiva e confirmar a eficácia do "Canesten", passo a publicidade.
Aproveito para vos sugerir a análise do vídeo abaixo (não o spot que vi), realizado por mulheres, no caso, presas num corpo de homem ;-)
Lamento, Pelo Público, não existem quaisquer limites morais...



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