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Cidade Fantasma
Sou preto ou branco, cinzento nunca... Sou chuva ou sol, nebulado nunca... Sou fria ou quente, morna nunca...

sexta-feira, 21 de maio de 2010


Quando eu morrer, não contes a ninguém.
Envolve o meu corpo frio com um dos mantos de areia que alagámos de beijos quando nos esquecemos do tic-tac das horas dos ponteiros a passar rápido demais e, não havia ainda quem soubesse de nós;
Leva-me depois para junto do mar, onde possa ser apenas mais um poema - como esses que eu (te) escrevia assim que a madrugada me confrontava com o ter de me deitar apenas com a tua sombra.

Quando eu morrer, deixa-me a ver o mar do alto de um rochedo e jamais chores, nem encostes os teus lábios na minha boca fria. Recorda-me quente…
E promete-me que rasgas as minhas roupas em pedaços tão pequenos, quão pequenos os grãos de areia que nos acolheram; e promete-me que depois os lanças na solidão de uma onda em espiral tão azul, quão azul o céu que me ofereceste e me queima o peito…
E partes sem olhar para trás uma única vez…
No azul te espero.

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