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Cidade Fantasma
Sou preto ou branco, cinzento nunca... Sou chuva ou sol, nebulado nunca... Sou fria ou quente, morna nunca...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

À PROCURA...


Com três dias de férias resolvi aproveitar para ir à procura de mim. Muni-me de bagagens e, confesso que de alguma tecnologia sem a qual tenho alguma dificuldade em sobreviver: um MP4, o GPS, o Laptop e o telemóvel pessoal.

A aventura consistiu em ir apenas COMIGO PRÓPRIA conhecer o litoral alentejano e em plena época alta, não ter reservado "pouso".

Parto rumo a nenhures e após cerca de duas centenas de kilómetros parei, fiz uma pesquisa e decidi: Porto Covo!
Inseri a morada et voilá: êi-la chegada a um lugar ainda muito agreste após kilómetros de terra a perder de vista. Chego ao centro. Centro? Bem, é o que lhe chamam. Agora teria de saber onde passar a noite. Após alguns telefonemas, estava difícil arranjar um local para o sono da guerreira. Fim-de-semana, início de Agosto..."Estavas à espera do quê???"
Estaciono no único lugar que encontrei; conseguir tirar depois o carro dali, seria um problema a resolver mais tarde.
Deambulei e descobri um hotel, o ÚNICO. Entrei e fui atendida de forma muito cortês por uma recepcionista (gosta do que faz). Fui confrontada com o hotel lotado e informada de que apenas nos dois dias seguintes é que teriam um quarto (segunda e terça). Sim, mas e esta noite? Contei-lhe para quem já tinha ligado. Ela fez uns telefonemas e nada. Convidou-me a tomar um café e sossegou-me: "Se não conseguirmos mais nada, fica aqui na recepção no sofá, não há problema!"
Confesso que tudo isto me estava a dar um gozo enorme e, não continha o sorriso.

Alguns minutos depois e com um sorriso enorme de satisfação, diz-me:
"Hoje vai ficar em casa da minha tia. Ela tem um quarto e amanhã cá a esperamos. Este é o contato, chama-se Isália." Isália? Bem, foi para isto que vim, vamos ver o que me espera.
Outra senhora simpatiquíssima abriu-me a porta, fácil de encontrar porque Porto Covo tem apenas alguns metros quadrados ;-)
"Seja bem-vinda! Então vem assim? Sem marcar nada? Já estamos habituados, sabe? Então com os surfistas... Mas sozinha..." - disse ela numa doce pronúncia vicentina acompanhada por uma menina com os seus 10 anos de idade, que sorria também.
Limitei-me a sorrir.
Acompanhou-me ao quarto. Era branco pálido, com uma decoração caracterísitca e abarrotar de "biblôts": eram o orgulho da D. Isália, a quem eu insistia em chamar de Isilda...

Novo dia, nova busca.

Porto Covo é uma Vila pacata, onde ninguém fecha a porta de casa ou do carro, ou do que quer que seja. Habitada por gente igualmente pacata e de uma simpatia extrema imbuída de um sorriso omnipresente.

Descobri que Porto Covo termina numa rua sem saída, que tem uma praia de nudistas, que tem avestruzes, que tem o melhor arroz de polvo que alguma vez degustei no restaurante "O Luís", que a Ilha do Pessegueiro não tem pessegueiro nenhum, que o Parque de Campismo da Ilha do Pessegueiro não é na ilha mas sim de frente a ela, que... enfim, desafio-vos a irem em busca de novas descobertas.

Entre outras aventuras, procurei por praias desertas análogas ao meu espírito. Todas elas anónimas e selvagens. Surpreendi-me porque todas foram assoladas por ventanias e, não por leves brisas frescas. Criei até a teoria horripliante e nada romântica de que afinal o Vizir de Odemira, como canta o Veloso, não se matou por amor quando era novo, mas afinal terá morrido porque, enquanto estava em cima da falésia a roer uma laranja, uma semelhante ventania o atirou para o abismo ;-)

Valeu a pena? Se me encontrei? Hummm, devo dizer-vos que esta busca foi inspirada num "outdoor" gigantesco "plantado" num terreno baldio à chegada de Porto Covo que dizia: "Outras palavras, outras promessas, o mesmo céu."

A insanidade faz-me bem...
;-)

1 comentário:

  1. Esse outdoor tem muito de realista, as balelas são sempre as mesmas.
    A minha curiosidade foi despertada.

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