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Sou preto ou branco, cinzento nunca... Sou chuva ou sol, nebulado nunca... Sou fria ou quente, morna nunca...

terça-feira, 14 de julho de 2009

PALAVRAS


As que procurei em vão,
principalmente as que estiveram muito perto,
como uma respiração, e não reconheci,
ou de súbito desisitiram
e partiram para sempre
deixando uma espécie de mágoa
como uma marca de água impresente;
as que (lembras-te?) não fui capaz de dizer-te
nem foram capazes de dizer-me;
as que calei por ser muito cedo,
e as que calei por ser muito tarde,
e, sem tempo, me ardem;
as que troquei por outras (como poderei esquecer o teu olhar?);
as que perdi, verbos e
substantivos de que,
por um momento, foi feito o mundo
e que se foram levando o mundo. E também aquelas que ficaram,
por cansaço, por inércia, por acaso,
e com quem agora, como velhas amantes sem desejos, desfio memórias,
as minhas últimas palavras.

1 comentário:

  1. Mesmo não a conhecendo, arrisco a escrever que temos muito em comum. Será apenas impressão minha?

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